Imobiliário teve um ano excecional e o otimismo mantém-se para 2015

“O ano de 2014 foi excecional para o mercado imobiliário, com o regresso tão aguardado dos investidores estrangeiros ao país e com a recuperação dos mercados ocupacionais especialmente de escritórios e de retalho”. A garantia é dada por Eric van Leuven, managing partner da C&W em Portugal. Para 2015 as perspetivas da consultora também são animadoras, até porque há grandes negócios que não se consumaram no ano passado e devem ficar concluídos em breve.

Entre eles estão empreendimentos avaliados por mais de 200 milhões de euros, como Vilamoura e Vale do Lobo no Algarve, operações que devem ser concretizadas este ano. Há ainda os hotéis que pertencem ao universo do grupo Espírito Santo, como os hotéis Tivoli ou a herdade da Comporta, que estão dependentes do processo de insolvência da “holding” Rioforte, na qual estão integrados.

O volume de investimento comercial no setor comercial (não residencial) rondou os 700 milhões de euros em 2014, o dobro do verificado em 2013, mas menos que os mil milhões previstos pela C&W. Ainda assim, foi superada a média anual dos últimos dez anos (600 milhões de euros) e o peso do investimento estrangeiro foi superior ao verificado nos últimos anos: 80% do volume e 70% do número de negócios.

investimento

Segundo Luís Rocha Antunes, diretor do departamento de Capital Markets Group da C&W, “há bastante confiança” para 2015. “Não há motivos para se pensar que vai ser um ano pior que 2014. É uma tendência de melhoria a manter e há investidores que continuam a apostar em Portugal”, adiantou o responsável, que falava durante a apresentação dos resultados da empresa.

Escândalos de corrupção não deixam marcas

Quando questionado sobre se os escândalos de corrupção que ocorreram no país no ano passado – Vistos Gold, caso BES e detenção de José Sócrates – podiam criar um clima de pessimismo no setor, Eric van Leuven e Luís Rocha Antunes foram claros. “Até agora diria que os casos de corrupção não tiveram repercussões em 2015. O grande arranque do investimento estrangeiro começou depois do verão, depois do BES, Vistos Gold etc. Também tinha essa preocupação”, referiu Eric van Leuven.

Já Luís Rocha Antunes frisou que Portugal é visto “como um país que passou por uma crise muito dura, mas que está a fazer algumas coisas bem para arrumar a casa”. “Quando a corrupção não é escondida debaixo da mesa, mas tratada de frente encara-se isso de forma positiva”.

Há centros comerciais à venda

Há vários sinais de otimismo para o corrente ano. Desde logo o facto de terem sido adiados alguns negócios de 2014 para 2015 e de ser expectável que a forte procura sentida no ano passado pelo imobiliário nacional se mantenha. Por outro lado, vários centros comerciais irão entrar em oferta no mercado. Os responsáveis da C&W não adiantaram pormenores sobre os espaços que podem ser vendidos este ano, limitando-se a dizer que são “ativos muito bons” e que já estão no mercado há alguns anos.

De referir que no ano passado foram vendidos o Freeport Alcochete aos britânicos da Hammerson e uma parte do Alegro Alfragide a um investidor estrangeiro.

No que diz respeito a aberturas de novos espaços, não está prevista qualquer novidade para 2015, sendo que em 2014 apenas foi inaugurado um centro comercial, o Alegro Setúbal.

Ainda no segmento do retalho, verificou-se uma subida consistente, mas moderada, ao longo de 2014. A procura manteve-se ativa no comércio de rua, sobretudo nas zonas prime de Lisboa – Avenida da Liberdade e Chiado –, e no caso dos conjuntos comerciais verificou-se uma recuperação de visitantes e vendas.

retalho

Ano recorde para os escritórios 

O segmento de escritórios obteve em 2014 números históricos. De acordo com a C&W foram transacionados 84.000 m2 até novembro em Lisboa, tendo sido ultrapassado o valor anual de 2013. As expetativas apontam para mais de 100.000 m2 até final do ano, representando um crescimento da procura superior a 30% face ao ano passado.

ocupacao

As rendas mantiveram-se estáveis face a 2013 e a taxa de desocupação respondeu à subida da procura, estando quase 50 pontos base abaixo do valor de 2013 (12,1%).

A consultora revelou que em 2014 obteve os melhores resultados de sempre, tendo estado envolvida no arrendamento de cerca de 28.500 m2 de novos escritórios, nos quais se incluem a conclusão do arrendamento da totalidade da Torre Ocidente – apenas 54% do edifício estava ocupado e os novos inquilinos são oriundos do setor financeiro.

“Vão faltar escritórios”

Para Eric van Leuven, “há procura no mercado que não vai ser satisfeita”, pelo que “vão faltar [espaços de] escritórios” na capital. “Quem quiser um escritório de 500 ou 1.000 m2 encontra, as operações maiores é que é mais difícil. O inquilino da Torre Ocidente, por exemplo, só tinha duas hipóteses”, acrescentou Carlos Oliveira, responsável pelo Departamento de Escritórios em Lisboa.

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