Nuno Gomes: “No ano passado, 98% dos meus negócios foram a pronto pagamento”

Nuno Gomes (ao meio) e a sua equipa, a NG Team by Nuno Gomes.

Nuno Gomes é um nome incontornável no setor imobiliário nacional. Foi eleito, entre 2008 e 2012, o vendedor número um em Portugal. E em 2009 e 2010 foi considerado também o melhor a nível europeu. Entrou para a Remax há dez anos, em fevereiro de 2005, e lidera agora a equipaNG Team by Nuno Gomes, cuja agência (Remax Prestige) está localizada na Avenida de Roma. “A crise foi o melhor que podia ter acontecido ao mercado imobiliário, porque a partir daqui tudo mudou”, conta, em entrevista ao idealista/news.

Fala-se muito na dinamização do mercado de arrendamento, mas os portugueses são acima de tudo proprietários. Vai continuar a ser assim? 
Sim, há muito o sentimento de posse. Mas muitos não tem capacidade de ser proprietários se não forem alavancados na banca. É bom que se aposte na reabilitação e no arrendamento. A reabilitação torna as cidades mais seguras, mais atrativas, o que as valoriza. É duro dizer, mas a crise foi o melhor que podia ter acontecido ao mercado imobiliário, porque a partir daqui tudo mudou. Disciplinou e tocou as pessoas. Com a expetativa de que um imóvel está sempre a valorizar gerava-se mais valias tremendas e isso tinha de acabar. E nós, portugueses, temos uma grande capacidade de adaptação.

A crise já acabou? Já se fala em retoma e em aumento de consumo…
Com a crise o dinheiro não desapareceu. E há muito dinheiro em Portugal. No ano passado, 98% dos meus negócios foram a pronto pagamento. Agora, o número de compradores baixou. O que aconteceu? Havia uma macrocefalia entre a oferta e a procura, e como não havia concessão de crédito a procura era muito baixa, estava praticamente restrita aos investidores. Com o Golden Visa, isto é uma das coisas boas do programa, os bancos foram obrigados a expurgar os ativos tóxicos, e isso foi despejado muitas vezes para o mercado internacional, pelo que deixou de haver tanta oferta. Agora a balança está mais equilibrada, daí a tal retoma.

As casas mais caras continuam a ser aquelas que têm mais possíveis compradores?
Sim, porque há uma maior garantia de investimento. Uma pessoa que compra uma casa no Chiado vai comprá-la cara, mas tem a certeza que não vai quebrar. É a zona mais chique, mais “in” de Lisboa. E é uma zona consolidada. Por exemplo, a Expo antes dos chineses era a zona mais barata de Lisboa. Os chineses vieram, porque gostam de coisas novas, e começaram a absorver os produtos que havia. E agora há muita gente a querer sair da Expo porque tem muitos chineses. E depois também há um nível de construção deficitário. Em certos condomínios está regulamentado que as pessoas estão proibidas de tomar banho depois das duas da manhã, para não acordarem outros condóminos. Ainda assim, foi um projeto bem conseguido, embora alicerçado numa construção débil. Quem lá mora muitas vezes diz: tenho de ir a Lisboa.

Ainda há espaço para construção nova em Lisboa?
Ainda há, mas são situações pontuais. Por isso é que também é mais seguro investir em Lisboa. Se comprar uma casa em Alvalade tenho a certeza que não vai nascer um bairro social ao lado, ou uma estrada… Umas das técnicas que usamos é vender sempre os benefícios que se tem com o imóvel, não é só as suas características. O benefício de comprar uma casa em Alvalade é ter duas estações de metro na proximidade, comércio, serviços, cinema, parques, escolas etc. Ou seja, o carro passa a ser um adorno. Isto é uma garantia hoje e daqui a 20 anos.

E depois Lisboa está na moda…
É uma cidade maravilhosa. Pela proximidade com a praia, com a floresta, com os parques, com muitos espaços verdes. Lisboa estar na moda é um efeito de marketing viral que se gera. Toda a gente tem curiosidade em conhecer lisboa. Agora tudo acontece na Baixa de lisboa, ao contrário de há dez anos, que era uma zona feia. Às vezes digo em jeito de brincadeira que há bairros que têm vida além das casas. Vou para a Expo e tenho vida de tupperware, meto o carro na garagem e saio no apartamento. Quem entra aqui [num bairro como o de Alvalade] passa na frutaria, no café e fala com as pessoas, que se conhecem pelo nome. Isso faz toda a diferença. A crise não foi só económica, mas também de confiança, de valores, de proximidade.

fonte: http://www.idealista.pt


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