10 coisas de que uma emigrante sente falta

Quando saí de Portugal, na mesma leva de emigração que varreu o país nos últimos dois anos, pensei que ia sentir falta sobretudo da família e dos amigos. Há esta ideia de que tudo é substituível menos as pessoas, e embora o Skype seja uma dádiva dos céus, continua a ser difícil aguentar as saudades.

No entanto, pouco tempo depois de ter chegado a Los Angeles, comecei a notar a falta de uma série de coisas que antes tinha como garantidas e que até é difícil explicar às pessoas aqui. Como assim, marcar um jantar para as nove da noite? Que queres dizer com “triple play”? Los Angeles é uma cidade de sonho, cheia de coisas boas e tremendas oportunidades, mas estas são dez coisas de que sinto falta:

1. Multibanco. Esse luxo de ter uma máquina Multibanco em cada esquina e de funcionar para qualquer cartão e qualquer banco é uma memória longínqua. Aqui, não só é preciso ir à máquina automática certa do nosso banco, para não pagar taxas, como o que dá para fazer com ela é limitado. Carregar o telemóvel? Que bruxaria é essa?

2. Televisão, internet e telemóvel no mesmo pacote. No dia em que liguei para um dos fornecedores de telecomunicações a perguntar se podia ter uma fatura única em pacote com o serviço de internet, do mesmo grupo, responderam-me que não, era o que faltava. Entretanto, apareceram uns pacotes que juntam tudo e são a módica quantia de 90-100 dólares, com velocidades baixas e canais manhosos. E a quantidade de vezes que a rede móvel vai ao ar?

3. Baldes com espremedor e esfregona. Está na minha lista de coisas a trazer quando for de férias a Portugal, porque aqui não existe. Há grande variedade de esponjas descartáveis, mas o conceito de um espremedor num balde quase deixou um empregado da Lowe”s a dar gargalhadas na minha cara. Fui a uma dezena de lojas e supermercados e nem sinal.

4. Bica. O café expresso aqui é caro e sabe a grãos de café infelizes que foram à guerra e perderam todos. Uma bica a 0,55euro é uma utopia por aqui, pelo que o melhor é mesmo pedir um café Americano no Coffe Bean ou comprar uma máquina de cápsulas para casa (e mesmo assim…).

5. Transportes públicos. Tirando a parte em que empresas como o Metro e a CP aderiram à greve como os hipsters à barba, é possível na maioria das cidades portuguesas andar de um lado para o outro de transportes. Aqui toda a gente tem carro porque as linhas são parcas e não ligam de uma ponta à outra. Há metro sim senhor, mas só vai até certos sítios. Para chegar lá é preciso apanhar dois autocarros que demoram uma eternidade e ainda andar um pedaço. Nem o trânsito infernal justifica isso.

6. Bilhetes de cinema a preços razoáveis. Aqui paga-se facilmente 12 a 15 dólares para ir ver um filme, mais 6 pelas pipocas. Resultado: a não ser que seja uma ocasião ultra especial, não se põe lá os pés. Ainda por cima, os homens normalmente pagam toda a despesa de um encontro, pelo que não lhes fica nada barato tentar encontrar a cara-metade.

7. Seguro do carro para não ricos. Eu achava que pagava muito pelo seguro contra todos em Portugal, até descobrir que aqui barato é coisa de 100 dólares por mês. Por. Mês. Se calhar é porque a hora de ponta é de manhã até à noite, ou porque dá para ir direita a Las Vegas sem uma única portagem em 435 quilómetros e encher o depósito com 25 euros… seja como for, também descobri que ninguém fala em termos de distância, mas em tempo que demora. “A quantos quilómetros fica Long Beach?”, “Hum, são 45 minutos.”

8. Jantar depois das 22h00. Não temos, a não ser salsichas numa tasca, mandando vir uma pizza ou indo a um McDonald”s 24 horas [sou vegan, não dá]. Quando cheguei não percebi porque é que toda a gente marcava jantares para as sete da tarde (mas o que é que aconteceu ao lanche?) e depois descobri que a maioria dos restaurantes fecha às 21h00, alguns às 22h00. Supermercados igual, entre as 20h00 e as 21h00.

9. Futebol. Além de gozarem com o “soccer”, ninguém percebe este desporto e as conversas são todas em torno de râguebi, baseball e basquetebol. O LA Galaxy é patrocinado pela Herbalife e o estádio fica super longe de tudo.

10. Saúde. Não obstante o que tem acontecido no sistema de saúde, com as longas listas de espera e o aumento das taxas de moderação, é muito mais fácil obter ajuda e tratamento que aqui. Se uma pessoa não tiver seguro de saúde, os preços são simplesmente exorbitantes – uma ida às urgências pode ficar em mil ou dois mil dólares, uma operação de emergência pode chegar a valores surreais de 30 ou 40 mil dólares, e os seguros nem sempre cobrem tudo. Diz-se que a forma mais fácil de ir à falência aqui é alguém adoecer ou ter um filho doente. Também já está anotado na lista de coisas a fazer quando for a Portugal: um check-up integral.

fonte: http://www.dinheirovivo.pt


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